segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Infância


Tenho saudades de ser pequenina. De me pôr em bicos dos pés para ver o que havia em cima da mesa. De me zangar com uma amiga e no minuto a seguir estar a saltar à corda com ela. De subir a uma cadeira para ir buscar comida. De a coisa mais complexa na minha vida ser decidir o que a minha Barbie iria vestir para o encontro. De ir ao jardim apanhar flores as flores favoritas da minha mãe para lhas dar e ela apenas se rir. De acreditar que tudo é possível. De sentir-me feliz por realizar a mínima proeza. De achar que seria uma cantora de muito sucesso por tudo o mundo. Tenho saudades desse mundo de fantasia, dessa felicidade irreal, de que todos os dias sejam os dias mais felizes da minha vida. Eu não quero abdicar da minha felicidade extrema, quero rir, correr, dançar, brincar. Quero ir ao mar sem nunca me queixar que a água está fria, quero até rebolar ou enterrar-me na areia se me apetecer. Quero achar que o meu desenho é o mais bonito apesar de estar todo riscado fora das marcas. Quero rasgar calças por cair de joelhos no chão e ninguém se importar com o que está roto. Quero querer crescer apenas para chegar à embalagem das bolachas. Quero cheirar cada flor como se fosse a ultima, saborear cada fruto como o melhor. Quero aproveitar a vida, quero ser algo que nunca deveríamos deixar de ser, crianças.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Primeiro dia de praia !


Dou um passo em frente, nada vejo senão areia e mar, nada mais quero ver, nada mais é importante. Dou outro passo em direcção ao meu destino, àquele que escolhi. Avanço e coloco um pé no solo desejado, sinto os pequenos grãos de pedras desgastadas a passar rente ao pé, inclino a cabeça para cima, de olhos fechados, e aproveito a sensação, brincando com os pés naquilo que era um solo não pisado por mim há cerca de um ano. Continuo dando passos e, aproveitando a força do vento, estendo a toalha no chão. Sem pensar tiro a roupa e dirijo-me à água. Vou entrando, devagar, sentindo a sua baixa temperatura no corpo, sentindo-a a dançar à minha volta conforme vou andando. Tudo parece um sonho, penso que estou a dormir. Olho para o céu, tons laranja e amarelo cobriam-no numa mistura de cor simplesmente perfeita. Respiro fundo e mergulho, sinto cada cm2 do meu corpo molhar-se, sinto a água a percorrer-me, sinto tudo ao máximo como se nunca tivesse acontecido. Ao sair, preparo-me para acordar, para sair do maravilhoso sonho em que me encontrava. Respiro novamente ainda mais fundo e fecho os olhos. Abro-os, não estou de novo no quarto. Afinal tudo era uma realidade, tudo era verdade, isto tudo era afinal o pôr-do-sol do primeiro dia de praia !

19/Jun/2010